Linha 1

Cada docente do PósCom mantém um plano de investigação coerente com as linhas de pesquisa do PósCom – Comunicação e Poder e Estéticas e Linguagens Comunicacionais. Abaixo relacionamos as/os docentes de cada uma das linhas, seus interesses de pesquisa e seus projetos em desenvolvimento.

LINHA 1 – COMUNICAÇÃO E PODER

Cicilia Maria Krohling Peruzzo

Interesses de pesquisa: Comunicação popular, comunitária e alternativa; Mídia independente, Mídia local e regional; Relações Públicas na perspectiva crítica; Movimentos sociais, comunicação e cidadania; Epistemologia da pesquisa científica; Comunicação, decolonidade e bem viver.

Projeto de pesquisa: Intersecções entre a comunicação dos movimentos sociais e pós-desenvolvimento na era da internet

Resumo: Pesquisa sobre a presença dos movimentos sociais e organizações comunitárias na internet, especialmente, sobre seus perfis e produtos audiovisuais. O objetivo geral é analisar a comunicação de movimentos sociais e comunidades de modo a observar as intersecções entre a práxis comunicativa e o desenvolvimento da cidadania e a transformação de realidades locais. O marco teórico articula visões conceituais sobre os modos de articulação da sociedade civil constituídos por segmentos da população que se reconhecem como portadores de direitos e que se organizam para reivindicá-los, sobre os processos de comunicação desencadeados nos contextos específicos de mobilização social, bem como sobre como as visões de desenvolvimento convencional vão se subtraindo nas dinâmicas constituídas em prol da construção de um processo civilizatório na direção de um pós-desenvolvimento, ou pelo menos de um outro modo de vida, em harmonia com uma série de direitos e garantias sociais, econômicas e ambientais. O marco metodológico se circunscreve na posição epistêmica que entende o conhecimento como passível de ser desenvolvido na relação indissociável entre sujeito-objeto, portanto não como algo já dado e a ser captado, mas desenvolvido numa relação intersubjetiva entre investigador e situação investigada. A pesquisa será desenvolvida por meio da aplicação de pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. O método para interpretação e análise dos observáveis tem como base a hermenêutica de profundidade. 

 

Emerson Campos Gonçalves

Interesses de pesquisa: Jornalismo Literário e Literatura; Filosofia, Cultura e Comunicação (Teoria Crítica da Sociedade); Semiótica e Estudos de Linguagem; Indústria Cultural e processos semi formativos; Redes Sociais e Convergência de Mídias.

Projeto de pesquisa:  Vício em redes sociais e o uso de metilfenidato entre universitários capixabas

Resumo: Este projeto aproxima e entrelaça as teses defendidas por Christoph Türcke (2002; 2012) sobre o vício em redes sociais online (sobretudo a partir da multiplicação de imagens técnicas digitais) e o estabelecimento de uma verdadeira cultura do déficit de atenção na sociedade hodierna, em que parte considerável das pessoas torna-se dependente de grandes cargas de estímulos imagéticos ou de medicamentos, como o metilfenidato, para despertar sentidos cada vez mais saturados. A premissa que sustenta a investigação proposta é de que o avanço da indústria cultural por meio das redes sociais online e dos smartphones tem condicionado a formação de indivíduos cada vez mais dispersos e com dificuldades de concentração. Por conseguinte, a supersaturação dos sentidos nesses indivíduos tem fomentado processos semiformativos (de Halbbildung), afetando as relações humanas nos diferentes espaços sociais. Um dos ambientes mais sensíveis a essa condição é a sala de aula. Espaço formal da educação (Erziehung) e dos processos de ensino-aprendizagem, é nela que se encontram os estudantes, diretamente prejudicados pelo vício em redes sociais online e pela cultura do déficit de atenção. Nesse cenário, a solução encontrada por muitos universitários (SAHAKIAN; MOREIN-ZAMIR, 2007), inclusive no Brasil (MONTEIRO et al., 2017), tem sido o uso indiscriminado de neuroestimuladores, como o já mencionado metilfenidato. O metilfenidato (Ritalina) é um estimulante do sistema nervoso central cujo mecanismo de ação indiretamente contribui para a liberação de dopamina, um neurotransmissor relacionado ao humor, prazer, cognição dentre outras funções (CHALLMAN; LIPSKY, 2000). Esse fármaco tem sido utilizado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), além de ser utilizado para o tratamento de outras doenças como depressão, narcolepsia e desordens cognitivas (CHALLMAN; LIPSKY, 2000). Como amplifica a ação da dopamina, o metilfenidato pode melhorar a concentração e fazer com que tarefas cognitivas pareçam mais gratificantes. Contudo, sem uma orientação qualificada, o medicamento pode levar ao abuso e vício. Isso sem contar os efeitos adversos, principalmente com ausência de controle da dosagem utilizada e do uso por pessoas saudáveis (não portadoras dos transtornos para os quais o medicamento é indicado). Há relatos de que o metilfenidato apresenta reações adversas como dor de cabeça, nervosismo, tontura, ansiedade e seu uso a longo prazo pode desencadear paranoia e esquizofrenia (PASTURA; MATTOS, 2004). Nesse sentido, considerando a gravidade do uso indiscriminado da referida droga, este estudo busca investigar qual o percentual de estudantes universitários no Espírito Santo recorre ao medicamento como ferramenta para melhorar a concentração e, consequentemente, o rendimento nos estudos. O objetivo é elaborar um panorama real e atual do uso do fármaco entre os estudantes universitários, por meio de um amplo questionário e de entrevistas a serem conduzidas com estudantes das principais instituições de ensino superior do ES. Com isso, espera-se produzir uma base de dados sobre a real dimensão do problema que permita avançar nas discussões sobre políticas públicas, sobretudo ligadas à educação, que possam enfrentar as diferentes causas (como o já citado vício em redes sociais) que produzem a cultura do déficit de atenção.

 

Guillermo Mastrini 

Interesses de pesquisa: Políticas públicas de comunicação. Regulamentação de plataformas. Economia Cultural. Concentração de propriedade de meios de comunicação e sistemas de comunicação.

Projeto de pesquisa:  Estrutura e concentração de mídia no Brasil. Sem financiamento

Resumo: À medida que a influência do Google cresce, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft, Netflix, Baidu, Alibaba e Tencent estão cada vez mais substituindo protocolos comuns e abertos da Internet por seus próprios padrões, uma tendência frequentemente criticada, conhecida como “a plataforma da Internet”. Tais processos resultam na mudança da Internet e da sua governação. Além disso, à medida que as plataformas digitais agregam e distribuem conteúdos culturais e mediáticos, os grupos de comunicação social existentes também se tornam mais dependentes das plataformas, comprometendo a sua própria autonomia em troca de benefícios incertos.  O projeto tem três objetivos: (1) mapear e analisar desenvolvimentos em duas dezenas de indústrias de mídia no Brasil; (2) aplicar e adaptar ferramentas de investigação existentes e criar novas, conforme necessário, para melhorar a compreensão da concentração no contexto da plataforma mediática; (3) fornecer dados que possam servir como ferramentas para influenciar a elaboração de políticas e o debate público sobre a concentração dos meios de comunicação social através de dados abertos.

 

José Edgard Rebouças

Interesses de pesquisa: Indústrias culturais e midiáticas; Políticas de comunicação; Economia política das comunicações; Mídia e direitos humanos; Democratização das mídias; Enfrentamento à desinformação.

Projeto de pesquisa:  Políticas públicas e regulamentação das comunicações no Brasil desde a Constituição Federal de 1988

Resumo: O estudo compreende um período de 40 anos, desde as iniciativas da Assembleia Nacional Constituinte, instalada em 1º de fevereiro de 1987, até 2027. Ao longo desses anos, vários instrumentos legais para a área da comunicação foram estabelecidos no âmbito federal; dentre eles, na Constituição Federal de 1988, todo o capítulo V do título VIII e vários outros artigos que vão desde o 5°, tratando dos direitos e garantias fundamentais, ao 227, sobre a proteção de crianças e juventudes; e em textos infraconstitucionais como a TV por assinatura; a radiodifusão comunitárias; a TV digital; a classificação indicativa de jogos, filmes e programas de TV; a rádio e a TV pública; a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual; a qualificação profissional e o Conselho Federal de Jornalismo; a Lei de Imprensa; a  propaganda eleitoral; o marco civil da internet; as leis de acesso à informação, de proteção de dados, de responsabilidade e transparência na Internet, da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais; a regulamentação das plataformas digitais; e, no início de 2026, o decreto de criação da profissão de multimídia/influenciador digital. Enfim, todo um  conjunto normativo que se ocupa de temas tão importantes e presentes no cotidiano, mas que carecem de um maior aprofundamento, análises, interpretação e comentários qualificados. Neste período também não houve uma efetiva participação da sociedade nos debates sobre as políticas de comunicações, que foram deliberadas sem o devido envolvimento por parte de especialistas, usuários, gestores ou profissionais da área..

Patrícia Cardoso D'Abreu

Projeto de pesquisa: Episfeme: questões midiáticas

A proposta é de uma prática de investigação científica sobre os objetos da comunicação que, partindo de uma epistemologia feminista, sistematize o questionamento sobre as representações das mulheres nos textos midiáticos. Esta proposta se coaduna com a participação da autora desta pesquisa como uma das coordenadoras, no Brasil, do Global Media Monitoring Project (GMMP) 2020. Criado em 1995, o GMMP é um dos desdobramentos da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres, realizada em Pequim, que estabeleceu propostas, objetivos estratégicos, ações e medidas para implementar os direitos humanos das mulheres e das meninas como parte inalienável dos direitos humanos e liberdades fundamentais (ONU: 1995). Esse documento permitiu que a agenda feminista articulasse definitivamente as representações midiáticas às históricas lutas por saber, cidadania, representatividade, trabalho e autonomia decisória sobre o próprio corpo. Como o GMMP, importantes desdobramentos dessa conquista alertaram contra a invisibilidade e os silenciamentos das mulheres na produção da mídia. Assim, a proposta da pesquisa Episfeme: questões midiáticas é a de, partindo da árdua metodologia de monitoramento com a qual trabalhamos no GMMP 2020, analisar o discurso e o conteúdo midiáticos à luz das diferentes correntes do pensamento feminista.

Rafael Bellan Rodrigues de Souza

Interesses de pesquisa: Comunicação e Trabalho; Teoria do Jornalismo; Mídia e Hegemonia; Movimentos Sociais e ativismo midiático

Projeto de pesquisa:  O jornalismo crítico-emancipatório e a formação de sujeitos históricos

Resumo: Este projeto de pesquisa tem como objetivo avaliar as incrustações irracionalistas nas defesas subjetivistas do jornalismo ativista. Assim, busca-se tensionar dialeticamente a proposta de um jornalismo focado na subjetividade dos repórteres e dos sujeitos enquadrados em seus lugares de fala, explorando seu cimento ontológico de invisibilização do mundo do capital e também demonstrando como certo irracionalismo norteia parte desse pensamento que, sem necessariamente ter intenções nefastas, coloca ideologias pós-modernas como princípio orientador de um jornalismo de combate. A pesquisa também pretende evidenciar como o jornalismo crítico-emancipatório, baseado nos estudos de Genro Filho (2012), distancia-se dessa leitura subjetivista e coloca-se ontologicamente como resposta para a estratégia de transição para outro mundo possível e necessário (MÉSZÁROS, 2004).

 

Rafael da Silva Paes Henriques 

Interesses de pesquisa: Teorias do Jornalismo; Análises de cobertura jornalística.

Projeto de pesquisa:  Decodificando textos jornalísticos: análise de coberturas de interesse público

Resumo: Este projeto de pesquisa investiga as formas como os significados são produzidos pelo jornalismo, na cobertura de acontecimentos de interesse público. Queremos decodificar e analisar criticamente as escolhas realizadas pelos profissionais de informação e manifestas nos textos e imagens publicados. A ideia é revelar como e com que consequências, o jornalismo efetua a operação de “tradução” do que acontece; quais são suas estratégias discursivas, seus enquadramentos jornalísticos e como esse trabalho costuma ser realizado. Pretendemos encontrar, como resultado, os possíveis efeitos de sentido, as vozes, as formas de se definir e propor uma solução para os problemas reportados e, em última instância, buscaremos identificar os fatores extratextuais, que servem de fundamento para a leitura de mundo realizada na cobertura das ocorrências. Nossa principal hipótese é a de que, em vez de mera descrição objetiva dos fatos, o jornalismo realiza sempre uma interpretação dos acontecimentos, a partir de leituras majoritárias que circulam na sociedade. Dessa maneira, propomos explicitar as escolhas e as origens das perspectivas adotadas por uma das mais importantes instituições de produção e circulação de sentidos da sociedade contemporânea.

 

Ruth de Cássia dos Reis

Interesses de pesquisa: Redes sociais digitais; Jornalismo; Comunicação organizacional; Comunicação pública; Narrativas e discursos.

Projeto de pesquisa:  Estudos de discurso e narrativas nos processos de comunicação contemporâneos

Resumo: As transformações por que passa a comunicação desde o início da era digital trazem novas indagações a respeito das apropriações produzidas nos sistemas de mediação comunicacional disponíveis atualmente, configurados como uma rede distribuída que permite inúmeras conexões em diversos níveis e escalas, envolvendo humanos e coisas. Uma parte dessas indagações diz respeito aos sentidos produzidos pelos atores que se movimentam nessa trama, onde circulam os mais diversos signos que configuram questões, temas, agendas, ideias e onde se realiza a vida cotidiana em suas múltiplas dimensões. Partimos da concepção de que esses elementos não são dados previamente, mas que resultam de processos discursivos em disputa e sempre buscando constituir uma hegemonia que os estabilize temporariamente. Entenda-se discurso como dispositivo pelo qual se instituem, na linguagem, o sujeito e o social. Propõe-se neste projeto pesquisar contribuições teóricas e metodológicas no âmbito dos Estudos de Discurso que fomentem a compreensão das redes de comunicação contemporâneas e suas ocorrências comunicacionais. 

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