Audiovisual nas redes sociais: territórios simbólicos em disputa

Resumo: Nos últimos 20 anos, as transformações da audiovisualidade se efetivaram na interface do campo audiovisual (cinema e TV) com a cibercultura, envolvendo fenômenos sociais, culturais, econômicos e políticos decorrentes desse processo, em especial tendo em vista novos modos de produção e de consumo de materiais audiovisuais capazes de acirrar as disputas discursivas no campo comunicacional. Outras territorialidades simbólicas podem ser engendradas no contexto da cibercultura, em especial a partir da efetivação na Internet de fluxos narrativos e discursivos periféricos, de e sobre as minorias sociais, ou ainda como espaço de visibilidade para múltiplas identidades, a partir de um processo que é, sobretudo, marcado por disputas mercadológicas em torno da chamada “produção de conteúdo”. Nesse contexto, destaca-se o YouTube e sua dupla função: arquivar e disponibilizar vídeos e funcionar, a partir desses conteúdos, como uma rede social, ancorando-se num complexo sistema de recomendações que envolve a lógica dos algoritmos e os históricos de navegação dos próprios usuários. Lançado em 2005, o Youtube se popularizou e se estabeleceu como uma das principais plataformas de consumo de produtos audiovisuais na Internet, incluindo material amador, peças televisivas, videoclipes, filmes, documentários e produtos “nativos” da Internet, tais como tutoriais, webséries, webdocumentários, canais de youtubers, etc. Pelas suas características, também se apresenta como uma rede social, o que também favorece a formação de comunidades em torno de temas específicos, eventos e/ou webcelebridades. Essas microcelebridades, forjadas na cultura das narrativas confessionais surgidas ainda com os blogs, compõem hoje um dos principais atrativos dos milhares de canais disponibilizados pelo YouTube, constituindo um emaranhado de abordagens distintas acerca de múltiplos temas. A pesquisa atual tem como foco um conjunto de canais produzidos por youtubers brasileiras, objetivando compreender, entre outros aspectos, como aspectos da intimidade constituem um conteúdo fortemente explorado em diversas narrativas dessas webcelebridades em seus canais, colaborando para a formação de comunidades de seguidores, uma grande quantidade de compartilhamentos e, consequentemente, gerando mais visibilidade e popularidade. Parte-se do pressuposto de que a esfera pública como espaço de discussão sobre sentimentos pessoais e a vida afetiva do sujeito ordinário atinge um novo patamar com as redes sociais digitais. Objetiva-se com isso refletir sobre os modos de narrar desses novos agentes influenciadores no campo do entretenimento digital e como são capazes de transformar demandas pessoais em mercadoria, ancorando-se num discurso da intimidade. Para tanto, a pesquisa combina métodos qualitativos e quantitativos.

Data de início: 2019-08-01
Prazo (meses): 12

Participantes:

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Coordenador Daniela Zanetti
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