A MULHER EM NOTÍCIAS SOBRE IMPORTUNAÇÃO SEXUAL NO ÔNIBUS: UMA ANÁLISE DO DISCURSO DO PORTAL G1

Nome: CAMILA PEREIRA BORGES

Data de publicação: 09/09/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
LIDIA GURGEL NEVES HORA Examinador Externo
MICHELINE MATTEDI TOMAZI Examinador Interno
RUTH DE CASSIA DOS REIS Presidente

Resumo: Em seu deslocamento pela cidade, as mulheres vivem o medo e a insegurança constantes de vivenciar variados tipos de violência no espaço público. A partir da urgência de discutir como a mulher é construída discursivamente nos textos jornalísticos e como determinados sentidos sobre a violência e o corpo feminino nas territorialidades urbanas são produzidos e tensionados, no projeto de pesquisa que apresentamos neste documento de qualificação nos propomos a responder a seguinte questão: como as estratégias discursivas utilizadas em notícias sobre importunação sexual no ônibus, desde a promulgação da Lei de Importunação Sexual, constituem a mulher vítima de violência? Busca-se ainda compreender se e como o jornalismo tem exercido um papel enunciativo-pedagógico, ao auxiliar na ampliação do debate acerca da violência contra a mulher e na superação de estereótipos de gênero. O recorte empírico compreende o portal de notícias G1, o de maior audiência do Brasil, e como marco temporal os anos posteriores à promulgação da Lei de Importunação Sexual (13.718/2018). Nosso aporte teórico-metodológico compreende a perspectiva de gênero como uma construção social historicamente determinada atravessada por relações de poder
desiguais, bem como a Análise do Discurso (AD), de linha francesa, principalmente nos estudos de Pêcheux (1975, 1969, 1990) e Orlandi (1994, 2007, 2012) identificando formações discursivas, silenciamentos entre outros aspectos no discurso sobre as vítimas de importunação sexual. No percurso metodológico também nos servimos de recursos computacionais tanto para a coleta dos dados quanto para a análises estatísticas e lexicométricas a fim de dar conta do conjunto de dados que alcança 599 notícias. Nossas conclusões preliminares mostram que há tanto aspectos positivos, como o uso da terminologia jurídica correta e incentivo a denúncia, quanto aspectos negativos, como utilizar construções discursivas que banalizam o crime e pouco rigor e contextualização dos casos, o que se configura como um dos elementos fundamentais da função pedagógica do jornalismo.

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