DE “REVOLUÇÃO” A “GOLPE”: ANÁLISE DOS DISCURSOS DO JORNAL O GLOBO SOBRE A DITADURA MILITAR ATRAVÉS DAS DÉCADAS (1964-2024)

Nome: NICOLLY BARBOSA CREDI-DIO

Data de publicação: 26/08/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
RAFAEL DA SILVA PAES HENRIQUES Presidente
RUTH DE CASSIA DOS REIS Examinador Interno
THAIS HELENA FURTADO Examinador Externo

Resumo: Em 2024, completaram-se 60 anos do golpe que inaugurou a Ditadura Militar no Brasil (1964–1985), um período marcante da história do país cuja memória ainda é disputada, inclusive pela mídia. Tendo isso em vista, o problema que orienta a presente dissertação é: como as representações da Ditadura Militar no jornal O Globo se transformaram ao longo de 60 anos (1964–2024)? Para respondê-lo, o estudo se propõe a analisar as capas do jornal impresso O Globo publicadas na primeira edição veiculada após o golpe, em 1964, e nas efemérides do golpe a cada decênio, ou seja, em 1974, 1984, 1994, 2004, 2014 e 2024. Com
o aporte teórico-metodológico da Análise do Discurso (AD), buscou-se compreender os diferentes efeitos de sentidos produzidos pelo veículo no decorrer das décadas, considerando as condições históricas e sociais da enunciação. Ao todo, a pesquisa localizou 10 notícias sobre a ditadura nas capas das edições analisadas, metade delas concentrada na edição de 1964. Por meio da análise, verificou-se a existência de dois tipos de formações discursivas com base nos seus sentidos nucleares: (1) aquelas que se referem ao evento histórico de 1964 como “golpe”; (2) aquelas que se referem ao evento histórico como “revolução”. Esses
grupos, como observou-se, estão historicamente determinados e não possuem coocorrência. Os resultados indicam, portanto, o surgimento de discursos jornalísticos descolados da memória discursiva que os antecedem e circunscrevem.

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