Defesa de dissertação
Mestranda: Jéssica Elaine Moreira Sampaio
Título: TÍTULO: VAI NA FÉ? Regimes de visibilidade e disputas simbólicas da representação de mulheres negras na telenovela brasileira
Data: 20/08/2026
Horário: 14h
Local: sala de webconferência
Banca Examinadora:
Profa. Dra. Gabriela Santos Alves
(Orientadora – PÓSCOM/UFES)
Profa. Dra. Aline Maria Dias
(Examinadora Interna – DAV/UFES)
Profa. Dra. Larissa Leda Fonseca Rocha
(Examinador Externo – UFMA)
Linha de pesquisa: Estéticas e Linguagens Comunicacionais
Resumo: A telenovela brasileira, enquanto produto e forma cultural de ampla penetração social, constitui um território simbólico central de disputa de sentidos sobre raça, gênero e classe. Esta dissertação investiga, através da análise da telenovela Vai na Fé (TV Globo, 2023) — marco histórico por apresentar um elenco majoritariamente negro em contextos contemporâneos —, de que modo as representações de mulheres negras tensionam ou reproduzem fronteiras simbólicas de raça, gênero e classe historicamente construídas na televisão brasileira. Fundamentada na interlocução entre o materialismo cultural de Raymond Williams, os estudos culturais de Stuart Hall, Jesús Martín-Barbero e Néstor García Canclini e as epistemologias do feminismo negro interseccional, nas contribuições de Patricia Hill Collins, bell hooks, Lélia Gonzalez e Carla Akotirene, a pesquisa assume que a visualidade é uma tecnologia de poder e administração de identidades. Metodologicamente, adota-se a análise de imagens em movimento de Diana Rose, aplicada em uma perspectiva longitudinal sobre um corpus de 25 cenas que abrange o primeiro, o quinto e o sétimo mês de exibição da obra. A análise evidencia que a narrativa operou um deslocamento fundamental, no qual o escrutínio do trauma e das estruturas de poder que regulam corpos negros assume a centralidade dramática. Conclui-se que, embora a produção inaugure novas territorialidades simbólicas ao centralizar o afeto, a religiosidade e o trabalho de mulheres negras, tais avanços coexistem com contradições da indústria cultural, que frequentemente instrumentaliza a diversidade como mercadoria estratégica no cenário político neoliberal.
